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Vigorexia: Transtorno causado pela obsessão com o corpo

por tatiana.barros
em 8 de novembro de 2017

Tudo em excesso faz mal, já diziam as nossas mães. Trata-se de uma verdade que vale, inclusive, para hábitos saudáveis, como a prática de atividades físicas. O treino excessivo pode desencadear riscos para o corpo, como lesões musculares, e algo muito mais sério: um transtorno de imagem chamado vigorexia.

Segundo a psicoterapeuta Maura Albano, esse é um problema de saúde mental relacionado com a distorção da imagem corporal. “O principal distúrbio que caracteriza a vigorexia é o treinamento excessivo, na busca por um corpo perfeito acompanhada de uma baixa autoestima”, explica.

Recentemente, a vigorexia foi incluída no manual de psiquiatria americano e classificada como um subtipo do Transtorno Dismórfico Corporal (TDC). O termo dismorfia é a diferença entre aquilo que a pessoa enxerga sobre a sua imagem física e aquilo que ela realmente é. “O que acontece nessa doença é que o paciente nunca se vê como musculoso o suficiente. Na busca para alcançar esse objetivo, passa a treinar exageradamente, ainda que isso traga dor e outros tipos de sofrimentos”, diz Maura.

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A psicoterapeuta destaca ainda que outros sintomas caracterizam esse distúrbio, como modificações preocupantes na dieta, além da tendência a se automedicar, suplementar a alimentação e fazer uso de esteroides anabolizantes. “Outra característica típica desse problema é a resistência às atividades sociais, uma vez que pessoas com este quadro tendem a fugir de situações nas quais o corpo possa ser exposto”, completa.

Características da vigorexia

Um exemplo mais comum e divulgado de Transtorno Dismórfico Corporal é a anorexia. Nesse tipo de doença, a pessoa acredita que nunca está magra o suficiente, mesmo o espelho mostrando o contrário disso. Já no caso dos vigoréxicos, eles acreditam que nunca estão musculosos o bastante.

Alguns estudos mostram que a vigorexia é mais presente entre os homens. Estima-se, por exemplo, que um em cada dez homens que frequentam academias no Reino Unido sofra deste problema. Estudos publicados na Medicine Magazine mostram ainda que cerca de um milhão de norte-americanos entre os nove milhões de fãs do fisiculturismo possam sofrer desse distúrbio.

Para Maura Albano, nos últimos tempos, a vigorexia tem atingido um número maior de pessoas, muito influenciadas por padrões estéticos estabelecidos pela mídia, especialmente com o uso cada vez mais intenso das redes sociais para compartilhamento de um estilo de vida fitness. Outra característica comum entre grande parte dos vigoréxicos é o fato de serem pessoas tímidas e de baixo autoestima, que buscam na ideia do corpo perfeito um tipo de compensação para o sentimento de inferioridade social. “Há ainda atletas que participam de competições e se veem cada vez mais obcecados por resultados, em serem sempre melhores e mais fortes”, diz.

Consequências da vigorexia

O treino excessivo causado por esse transtorno resulta em problemas estéticos, como a desproporcionalidade corporal e excesso de peso. Mas outras consequências muito mais graves são podem ser causadas por essa doença, especialmente quando atrelada a uso de anabolizantes:

  • Risco de doenças cardiovasculares
  • Lesões musculares e hepáticas
  • Disfunção sexual
  • Aumento do risco de câncer de próstata
  • TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo)
  • Insônia
  • Irritabilidade
  • Desinteresse sexual
  • Fraqueza
  • Fadiga
  • Infertilidade nas mulheres
  • Depressão
  • Pensamentos suicidas

Tratamento para a vigorexia

Um dos grandes problemas desses transtornos dismórficos é a dificuldade de o paciente se ver como doente e admitir a necessidade de ajuda. Por isso, é mais do que fundamental o apoio da família e amigos mais próximos, ao lado de tratamentos psicológicos especiais.

Ainda é importante o acompanhamento de nutricionistas para que seja sugerida uma dieta equilibrada, que reabasteça o organismo de todos os nutrientes e vitaminas que ele necessita para se recuperar.

Também pode ser necessário o uso de medicamentos que controlem depressão, ansiedade, TOC e outros problemas que a doença desencadeia.

 


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