Nanomix cria embalagens sustentáveis

por aretha.yarak
em 15 de setembro de 2017

Criada em julho de 2016, a Nanomix é uma empresa de nanotecnologia especializada em barreira contra a umidade. Seu grande diferencial é ser a criadora de uma tecnologia que pode tornar as embalagens de remédios e de alimentos mais sustentáveis e baratas. “Nossa nanotecnologia é empregada como um aditivo na formulação do PVC, permitindo conferir uma barreira contra a umidade que preserva o produto”, explica Bruno Ghizoni, cofundador da empresa. A Nanomix é uma das nove startups brasileiras selecionadas para participar do projeto de aceleração Jasmine Open Table.

Bruno Ghizoni, cofundador da Nanomix. Foto: Divulgação

A história da Nanomix começou em 2011. Oriundo do mercado financeiro e diretor da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Ghizoni criou o Concurso Acelera Startup, o maior na área de investimento-anjo da América Latina. No programa, ele avaliou mais de 10 mil empresas até conhecer a farmacêutica Izabel Fittipaldi na edição do primeiro semestre de 2016 do concurso.
“Ela havia desenvolvido um produto fantástico, fiquei maravilhado e, ao mesmo tempo, surpreso pela falta de interesse do mercado”, relembra.

 

Na época, a farmacêutica tinha acabado de patentear um produto inovador, desenvolvido com nanotecnologia e que trazia três melhorias fundamentais às embalagens usadas em medicamentos: era sustentável, usava apenas insumos nacionais e reduzia os custos quase pela metade.

Mas, ainda assim, Izabel não conseguia introduzir a ideia no mercado nacional nem angariar parcerias para o projeto. Segundo Ghizoni, o descrédito no trabalho da farmacêutica ocorria porque ela fazia pesquisa “em um país de terceiro mundo”. “Era puro preconceito, o produto era bom demais para ter sido desenvolvido aqui”, comenta.

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Nanomix entra no mercado

Em julho de 2016, os dois se tornaram sócios e criaram a Nanomix. Embora a tecnologia já estivesse patenteada, faltava conseguir a certificação pelo Centro de Tecnologia de Embalagem (CETEA), do Instituto de Tecnologia de Alimentos, uma instituição pública ligada à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado de São Paulo.
“Fomos aprovados em todas as instâncias”, conta Ghizoni. A Nanomix foi vencedora ainda do prêmio Senai de Inovação.

A solução criada por Izabel faz com que o PVC possa substituir o PVDC, um tipo de plástico empregado em embalagens que não é reciclável. Chamada de Blíster Protect, a invenção é 100% reciclável e custa quase metade do valor do PVDC. “Além disso, todo o insumo é de alta qualidade e nacional, o que evita possíveis prejuízos por problemas de importação”, lembra Ghizoni.

A nanotecnologia também foi usada na criação do Papel Blíster, que permite substituir o alumínio blister das embalagens dos medicamentos (o material que fica na parte de baixo das cartelas de comprimido), usado em larga escala hoje e que não pode ser reciclado, além de ter alto custo.

Nova sede e projetos futuros

A Nanomix inaugura uma nova fábrica no próximo mês em parceria com a Contrátil, empresa brasileira líder em alguns segmentos de PVC (produz, entre outros, lacre de vinho e embalagem secundária para o setor farmacêutico). A nova sede, muito mais espaçosa, será essencial para suprir a demanda da indústria, que já começa a descobrir o produto criado pela empresa.

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“Temos 20% do setor farmacêutico só esperando nossa fábrica ficar pronta para receber nossos produtos”, comenta Ghizoni. Além disso, eles ainda devem fechar negócio com multinacionais com sede na Europa e pretendem começar a trabalhar com o setor de alimentos, também na produção de embalagens. “Um pacote de cereais, por exemplo, que precisa manter a crocância, pode ter a nanotecnologia Nanomix”, diz.

A entrada nesse novo nicho de mercado deve ser planejada durante os trabalhos de mentoria do Jasmine Open Table. Como todo o conhecimento prévio e experiência profissional dos executivos da empresa estão na área farmacêutica, eles estão em busca de informações e se preparando para desenvolver embalagens alimentares.

Sobre o Jasmine Open Table

A Jasmine aposta na capacidade transformadora da alimentação saudável. Com o programa Jasmine Open Table, uma plataforma de aceleração para projetos inovadores, ela fomenta o desenvolvimento de produtos e de conteúdos que ajudem as pessoas a terem uma vida mais ativa, saudável e consciente. A primeira edição do programa teve 50 inscritos e nove projetos foram selecionados para participar das 12 semanas de mentoria intensivas, formulado em parceria com a Corporate Garage.


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