Vila Cangume cria vilas com produção orgânica e sustentável

por aretha.yarak
em 15 de novembro de 2017

Criar vilas ocupadas por cooperativas de produção orgânica e resgatar um estilo de vida simples, gerando subsistência e renda para os moradores. Esse é o objetivo da Vila Cangume, um projeto criado em 2015 pelo publicitário Fred Albuquerque para estimular as comunidades autossustentáveis pelo interior do país. O projeto é um dos nove selecionados para participar do programa de mentoria Jasmine Open Table.

A ideia da Vila Cangume surgiu após Fred enfrentar um grave problema de saúde. Com uma carreira sólida na área da publicidade e marketing, ele estava à frente de uma agência havia cerca de dez anos quando passou muito mal e precisou ser levado às pressas para o hospital. “Tive uma arritmia e fiquei internado por uma noite. Foi a epifania que eu precisava para entender que tinha que sair daquela vida”, relembra.

Estruturação da Vila Cangume

Recuperado, ele saiu em busca de novas opções de trabalho que pudessem ajudá-lo a mudar de vida. Foi então que conheceu o atual sócio em um restaurante nos arredores de Belo Horizonte. “Estava em um almoço e fui apresentado ao Fernando Borges por amigos em comum. Ele comentou que possuía umas terras, mas não sabia exatamente o que fazer com elas”, conta. Fred acabou indo visitar o local e saiu de lá com o desafio de pensar novos usos para a terra. “Eu me encantei com aquele lugar. Como eu queria uma vida mais simples e mais tranquila, a ideia da Vila Cangume surgiu naturalmente”.

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Em linhas gerais, o que o publicitário propõe é bastante simples: usar terras paradas, em sua maioria de sítios que não estão sendo aproveitados ao máximo, para instalar cooperativas. “Manter uma fazenda ou um sítio é algo bastante caro. Compartilhando o espaço, fica mais barato para todo mundo, para o dono da terra e para quem vai trabalhar nela. E aquele local que não estava sendo aproveitado ainda passa a gerar renda para quem precisa”, explica.

O compartilhamento proposto, no entanto, não é apenas do espaço físico mas também de conhecimentos administrativos, de gestão e financeiros. A ideia é unir forçar para democratizar a produção e facilitar seu potencial de produção orgânica. Apenas a gestão de branding estaria centralizada, para que todas as vilas continuem seguindo o mesmo propósito.

Projeto piloto da Vila Cangume

O primeiro modelo da Vila Cangume está sendo estruturado na fazenda do sócio, localizada no distrito de São Bartolomeu, na cidade de Ouro Preto. Ali, cerca de vinte cooperados devem começar a plantar azeitonas em breve. São 59 hectares de terra, que serão divididos em espaços para o plantio, construção das casas para os cooperados e um armazém para receber visitantes e para a venda do produto.

Embora ainda não esteja funcionando na prática, a proposta da Vila já começa a chamar atenção de proprietários de terra pelo país. Atualmente, Fred já foi procurado para estudar a implementação também em Araxá, produzindo café, e em Ponte Nova, na Zona da Mata Mineira, para uma plantação de lichia.

Como é organizada a Vila Cangume

Na estrutura criada por Fred e Fernando, a fazenda ou o sítio é arrendada pelo dono. “É o proprietário da terra que fica com a maior porcentagem dos ganhos”, diz. Portanto, para participar, cada cooperado deve comprar uma cota, que dá o direito de uso. Além disso, há um custo fixo de manutenção da vila (uma espécie de condomínio), que vale por 60 meses. De acordo com o publicitário, essa negociação dos espaços ainda é o foco de maior entrave para a criação das vilas.

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“As pessoas ainda sentem uma necessidade de ter uma escritura em mãos. Isso é algo bastante cultural. Mas não é uma compra de terra, então temos esse gargalo, esse trabalho de inserção de uma nova maneira de usar a terra”, analisa. Durante o processo de mentoria no Jasmine Open Table, Fred pretende estruturar uma rede de parcerias para venda dos produtos da Vila Cangume, fortalecendo a produção orgânica e autossustentável do país.

Sobre o Jasmine Open Table

A Jasmine aposta na capacidade transformadora da alimentação saudável. Com o programa Jasmine Open Table, uma plataforma de aceleração para projetos inovadores, ela fomenta o desenvolvimento de produtos e de conteúdos que ajudem as pessoas a ter uma vida mais ativa, saudável e consciente. A primeira edição do programa teve 50 inscritos e nove projetos foram selecionados para participar das 12 semanas intensivas de mentoria, formuladas em parceria com a Corporate Garage.


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