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Gastrofísica: Entenda a relação entre a mente e a comida

por tatiana.barros
em 12 de outubro de 2017

Comer é uma experiência sensorial completa. Tudo começa com os aromas que o prato exala, passa pela visualização das cores, chega às texturas de cada alimento e, claro, tem seu ápice na degustação dos sabores. Até mesmo a audição é ativada, com o som da mastigação.Esse conjunto de sensações, aliado às memórias afetivas que uma refeição pode trazer, faz com que o prazer à mesa esteja muito mais na mente do que na boca.

Essas relações são explicadas e defendidas pela Gastrofísica, uma nova área da ciência desenvolvida pelo professor de psicologia da Universidade de Oxford, Charles Spence. Ele publicou o livro “Gastrophysics: The New Science of Eating” (Gastrofísica: Uma Nova Ciência da Comida, em livre tradução),  sem edição no Brasil.

Para o especialista, uma série de fatores que vão muito além do alimento em si é responsável pelo quanto ficamos satisfeitos com uma refeição. Isso inclui itens como o peso dos talheres, a cor dos pratos, a música ambiente, o local em que se faz a refeição, suas companhias, entre outros. “Você tem que entender o papel de tudo isso para determinar o que realmente faz com que comer seja tão agradável, estimulante e, acima de tudo, memorável. A crescente conscientização de que o gosto é essencialmente uma atividade cerebral levou alguns dos melhores chefs do mundo a contemplar de forma nova as experiências que eles oferecem aos seus clientes”, diz o professor Spencer em seu livro.

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Princípios da gastrofísica

Confira alguns dos principais itens relacionados à nossa mente e que interferem diretamente na experiência gastronômica, segundo a teoria de Charles Spence.

Quanto mais caro, mais saboroso

A ideia é que nosso cérebro faz uma relação entre preço e sabor. Se o prato é caro, ele deve ser mais gostoso e valer o alto investimento. Outro ponto relacionado a isso é o peso dos talheres: quanto mais pesados, mais luxuosos. Assim, quanto mais caro o restaurante e mais chiques os talheres usados, mais gostosa será considerada a comida servida.

Companhia afeta a quantidade consumida

Estudos de Spencer sugerem que, quando você come na companhia de uma outra pessoa, você tende a ingerir 35% a mais do que quando está sozinho. Se você faz sua refeição com mais de três pessoas, pode comer até 75% a mais. Se você está com mais de sete pessoas, corre o risco de dobrar a quantidade de comida. Isso, segundo ele, tem a ver com o fato de que, quanto maior o grupo, maior a quantidade e variedade de comida disponível.

Quem se serve primeiro escolhe o melhor

Ao fazer uma refeição com outra pessoa, prefira se servir primeiro. Isso porque você pode mudar de ideia em relação ao que iria comer, baseado no que a sua companhia escolheu. Por isso, quem se serve por último tende a comer mais.

Segure o prato nas mãos

O nosso cérebro não faz uma distinção entre o peso do alimento e o do prato. Por isso, ao segurá-lo, ele entende que a refeição é mais pesada e em maior quantidade do que realmente é. Isso pode fazer com que se sinta mais satisfeito comendo menos.

Concentre-se na sua refeição

Esse também é um dos princípios do slow food: quanto mais se concentrar em todos os aspectos da sua refeição, mais satisfeito ficará. Por isso, dedique-se a sentir todos os sabores, texturas e aromas da sua comida. O nosso cérebro precisa de todas essas informações para que ocorra a saciedade.

Use a imaginação

Alguns estudos mostram que o simples fato de cheirar um chocolate é suficiente para matar a compulsão. Até mesmo o pensamento pode ajudar nisso. Outros sugerem que, quanto mais você pensar em um prato, menos você terá vontade de ingeri-lo. Será que funciona mesmo? Vale a pena testar.

Ouça música enquanto come

Ouvir canções tranquilas durante a refeição, como uma música clássica, pode ajudar a comer com mais calma. Elas estimulam uma mastigação mais lenta, o que faz ainda com que se coma menos.

 


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