Bulimia: como identificar esse tipo de transtorno alimentar

por tatiana.barros
em 17 de novembro de 2017

Há quem busque o corpo perfeito a todo custo. O desejo de ser magro pode desencadear doenças e algumas delas são mais difíceis de identificar, porque não geram mudanças físicas na pessoa. Uma delas é a bulimia, que está mais ligada a comportamentos nada saudáveis do que ao emagrecimento exagerado.

O que é a bulimia

É um distúrbio em que o paciente ingere grandes quantidades de alimentos calóricos (doces ou massas, por exemplo) e, em seguida, lança mão de mecanismos prejudiciais à saúde a fim de evitar ganho de peso.

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A psicoterapeuta Maura Albano explica que os fatores que levam a esse transtorno se assemelham àqueles da anorexia, como padrões estéticos estabelecidos pela sociedade em que o culto à magreza prevalece, pressão familiar e social, predisposição genética, traumas e baixa autoestima.

Sintomas e consequências da bulimia

  • Preocupação excessiva com o peso
  • Distorção da autoimagem (a pessoa sempre se enxerga gorda, mesmo quando o espelho mostra o contrário)
  • Pavor de engordar
  • Dietas severas seguidas de uma ingestão compulsiva de alimentos
  • Idas ao banheiro imediatamente após as refeições para forçar vômito
  • Uso indiscriminado de diuréticos e laxantes
  • Uso de suplementos para emagrecer
  • Ansiedade
  • TOC

A combinação desses fatores pode causar riscos à saúde do paciente e as consequências podem incluir inflamação na garganta, destruição do esmalte dos dentes, sangramentos, alterações hormonais e de humor, problemas gastrintestinais, desidratação, arritmias cardíacas, depressão, entre outros problemas.

Diagnóstico e tratamento da bulimia

Maura Albano explica que um dos desafios para o diagnóstico desse transtorno alimentar é que a mudança física não é tão aparente e, por isso é tão importante observar o comportamento dessas pessoas em relação à comida. “Muitas vezes, pessoas com corpo aparentemente saudável e dentro dos padrões estéticos estabelecidos apresentam quadros de bulimia. Como esses comportamentos que caracterizam a doença são feitos às escondidas, é comum o diagnóstico ocorrer quando o distúrbio já está bem desenvolvido”.

Maura Albano explica que, para que seja feito o diagnóstico de bulimia, há um consenso no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), em que é necessária a presença de um quadro de compulsão alimentar, normalmente acompanhado de mais um sintoma. Não há, no entanto, uma definição quanto à frequência dessas ocorrências. “Há estudos que defendem que o paciente deve apresentar dois episódios por semana de ingestão descontrolada de alimentos, durante um mínimo de três meses, para ser classificado como portador de bulimia nervosa”, diz.  Mas esse não é um consenso.

O manual diz que o processo de ingestão exagerada, acompanhado da culpa e incapacidade de parar, deve acontecer em um período de duas horas. “Mas como se trata de algo subjetivo e nenhum caso é igual ao outro, é essencial que pessoas próximas observem a frequência desses sintomas”, aconselha Maura.

Tratamento multidisciplinar

O tratamento da doença deve acontecer de forma multidisciplinar. Isso quer dizer que é realizado em conjunto, por médicos, psicólogo (a terapia cognitivo-comportamental é indicada), psiquiatra e nutricionista, que irá montar um plano alimentar adequado a esse paciente. Pode ser necessário o uso de medicamentos antidepressivos e estabilizadores do humor.

Há ainda grupos de apoios que costumam ajudar pessoas que sofrem desse transtorno. “Esse é um processo difícil e doloroso não só para o paciente como também para aqueles que convivem com ele. Por isso, é importante um acompanhamento próximo de familiares e, em alguns casos, a terapia familiar também é indicada”, recomenda a especialista.

 

 


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